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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Francisco Alvim - Vida e Obra


Série Literatura Brasileira Hoje

Autores Brasileiros

CONTENPORÂNEOS

N°2 – Francisco Alvim


Biografia e Critica ◄

Francisco Soares Alvim Neto, nasceu em 1938 na cidade mineira de Araxá. Exerceu por grande parte de sua vida a carreira diplomática.. Faz parte da geração de poetas do pós-concretismo. Publicou seu primeiro livro em 1968 (Sol dos Cegos). Sua poesia leva uma conotação concisa e clara. Falando diretamente das questões da vida cotidiana e dos temas filosóficos e líricos dela cria um efeito de precisão e beleza única. Veja a estrofe:

A quem sobra olhos resta ver
um ser nu a vida pouca
Só dentes e sapatos
de volta para casa

Por vezes Alvim é lembrado ligado a Poesia Marginal, com que teve um dos seus mais relevantes livros (Passatempo-1974) publicado na coleção Frenesi – notória por ter dado visibilidade a vários nomes da poesia marginal. Almeida Pinto ressaltou a proximidade de Francisco Alvim com a poesia marginal notando que seu estilo era muito próximos de poetas como Turiba e Eudoro. Notadamente com desprezando formalizações (tanto de linguagem como métricas e rítmicas) e com uma utilização sistemática da linguagem coloquial.

Luiz Carlos Guimarães Costa ressalta que a “chegada” da poesia marginal em Brasília se dá com a publicação conjunto de Alvim com Carlos Sandanha do livro Águas Emendadas em 1977 pela editora Thesaurus.
Francisco Alvim em seu Blog coloca a questão “Mas o que seria poesia marginal?” Ao que ele responde com irreverência, bom humor e precisão:

“Você provavelmente pensa que a palavra marginal se refere a maneira de xingar "trombadinhas",mas quando se trata de poetas ou poemas, confunde a cabeça da gente, gerando certas perguntas .
Como um poeta pode ser marginal?, ou, existe um poema marginal?...E coisas do tipo.O termo MARGINAL em si, é indicado a certos tipos de pessoas, um delinqüente, um indigente, e mesmo qualquer representante ou até mesmo
pessoas de baixa renda.
Mas na verdade marginal, é o adjetivo mais usado para qualificar trabalho de determinados artistas,que também são chamados de independentes ou
alternativos.”

Poesias
Selecionadas ◄

Do livro Do livro Sol dos Cegos

DRUMMONDIANA

Estamos gastos sim estamos
gastos
O dia já foi pisado como devia
e de longe nosso coração
piscou na lanterna sangüínea dos automóveis
Agora os corredores nos deságuam
neste grande estuário
em que os sapatos esperam
para humildemente conduzir-nos a nossas casas

Em silêncio conversemos

Que fazer deste ser
sem prumo
despencado do extremo de um dia e
que o sono não recolheu?

Não não indaguemos
Para que indagar matéria de silêncio
Procurar a nenhuma razão que nos explique
e suavemente nos envolva
em suas turvas paredes protetoras

Nada de perguntas
A campânula rompeu-se
O instante nos ofusca

A quem sobra olhos resta ver
um ser nu a vida pouca
Só dentes e sapatos
de volta para casa

Nem um passo à frente
ou atrás
De pés firmes
o corpo oscilante
neste suave embalo da mágoa
descansemos


Do Livro: Elefante (2000)

Canto

Ária branca – aderência
em muro branco
neste dia tão solar –
dia dos mortos
dia do antes
É como se o olhar tornado
inumano
por força do branco
soasse
livre do longe e do perto
de si mesmo referto
na desmesura do ar
Longe ficaram as montanhas
Perto o lago não está


Elefante

O ar de tua carne, ar escuro
anoitece pedra e vento.
Corre o enorme dentro de teu corpo
o ar externo
de céus atropelados. O firmamento,
incêndio de pilastras,
não está fora – rui por dentro.
Reverbera no escudo o brilho baço
do túrgido aríete
com que distância e tempo enfureces.
Teu pisar macio, dançarino,
enobrece os ventos frios,
femininos.
A tua volta tudo canta.
Tudo desconhece.

Livros de
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(os link te levaram a opções de compras)

Amostra Grátis, Sol de Cegos (1968)
Passatempo (1974)
Exemplar Proceder (1978)
Poemas (1978)
Dia Sim Dia Não (1978)
Lago, Montanha, Festa
Passatempo e outros Poemas (1981)
Poesias Reunidas (1988)
O Corpo Fora (1988)
Elefante (2000)
Poemas: 1968-2000 (2001)

Livros e sites Recomendados ◄

Poesia de Brasília: Duas Tendências – J. R. de Almeida Pinto – Editora Thesaurus – 2002

Blog do escritor: http://francisco.alvim.zip.net/

Página dedicada a Francisco Alvim no site do Jornal de Poesia:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/falvim.html

Ensaio de Roberto Schwarz na New Left Review sobre Francisco Alvim (em Inglês): http://www.newleftreview.org/?view=2462

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